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7 de mar de 2011

Outros Carnavais, me leva que eu VOU! [ por Carlos Quirino Ramalho ]









Olá Pessoas, um texto para reflexão hoje!


Lembrando que a matinê com brinquedos infláveis, algodão doce, pipoca e afins continuam hoje na praça 'Lecy Campos', além do trio elétrico que começa a se concentrar ás 19h00 no Aquário Cultura - Monte seu bloco!








'Mudança assusta, causa discussão, há quem diga que gera até separação de casais. 


Não sendo tão trágico e realmente o tema não rima com tragédia, gostaria de falar sobre o Carnaval este ano na Cidade de Votorantim. Quando Chiquinha Gonzaga, em 1899, compôs a pedido dos foliões do cordão Rosa de Ouro a célebre marcha "Ó abre alas..." 1, será que ela imaginava que mais de um século depois essa marchinha ainda abriria muitos carnavais? 


Este ano a proposta de carnaval feita pelo Governo Municipal através da Secretaria de Cultura, levou para alguns bairros e para o centro da Cidade as marchinhas e o Samba Raiz. 


Nos bairros em uma espécie de matine, palhaços e bandas com vinte a sessenta componentes transitavam pelas ruas com repertório que iam das marchinhas, samba enredo até outros estilos musicais. A banda se encontrava em um pondo do bairro, após um pequeno aquecimento, saiam caminhando. 


Alguns palhaços ganhavam as alturas com pernas de pau, para alegria e fascínio das crianças, enquanto outros mais próximos ao chão, faziam o famoso trenzinho e outras brincadeiras. Após 20 minutos, a rua era tomada, proibindo a passagem de veículos. Durante essa travessia que durava cerca de uma hora e meia, com serpentinas, mascaras e muita música, a rua era do povo, e quem não estava na rua estava na calçada ou atrás dos portões observando, dançando, rindo... Era perceptível um encantamento. 


Nos mais velhos, pais, mães, avós, avôs, tios e tias, como se de repente tivessem sido arrebatados por várias lembranças: bailes, desfiles, matinês... Com os mais novos o encanto se dava pelos músicos, o instrumento, a alegria do palhaço, a fantasia. Ao chegar do outro lado do bairro tudo acaba, mas com certeza continua na memória dessas pessoas.


Na praça de eventos não tivemos o mesmo número de pessoas que tempos atrás, a chuva fina, ou a possibilidade dela, fez com que as pessoas não saíssem de casa. Quem arriscou pode transitar com tranqüilidade. Era possível comer algodão doce ou pipoca (ou os dois ao mesmo tempo), ouvir música de qualidade, enquanto as crianças pulavam e escorregavam nos brinquedos. Ai o encantamento foi meu, quando no sábado às 21:00 horas ao parar para observar a Praça percebi ela tomada por pais, mães e crianças – “A praça pertencendo novamente a família”. Samba raiz ditou o ritmo na Lecy de Campos, a dança, a ginga, a alegria brotava nas pessoas presentes independente da idade. Uma cena que destaco foi quando no Domingo Aureluce Santos cantou Gonzaguinha “O que é, o que é?”, sem palavras... 


Nem todos estavam contentes, um ou outro reclamou do “barulho” nas ruas, e na praça pouca bebida foi vendida, ai a reclamação foi dos comerciantes. Mas sem dúvida ao optar pela família, haveria pouco espaço para adolescentes e jovens se embriagarem, não que isso não tenha acontecido sempre tem alguém que perde a conta e bebe um pouco a mais. 


Penso que é impossível agradara a todos. Gostaria de me colocar agora como morador de Votorantim, para essas últimas linhas: Muita gente trabalhou para que as coisas dessem certo, corro o risco de esquecer de alguém sendo assim, agradeço a todas essas pessoas que contribuíram para o carnaval 2011 em nossa cidade, e se o próximo carnaval for assim “me leva que eu vou...” 






Carlos Quirino Ramalho 
(Coordenador de Formação Cultural)
“A cultura pertence as pessoas”



1 http://www.dicionariompb.com.br/carnaval/dados-artisticos, Acesso dia 07/03/2011.


2 http://secvotorantim.blogspot.com/2011/03/hoje-06-carnaval-de-votorantim-tera.html, Acesso dia 07/03/2011.



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